O novo atoleiro dos EUA

Fernando Rosa – A Venezuela detém a maior reserva provada de Petróleo do mundo, com 298,3 bilhões de barris, ou 17,5% de todo o petróleo descoberto no planeta. Essas reservas estão a apenas quatro ou cinco dias de navio das grandes refinarias do Texas, enquanto o petróleo do Oriente Médio está entre 35 a 40 dias. Essa informação, se fosse de domínio da população, já seria suficiente para explicar as razões da guerra patrocinada pelos Estados Unidos contra a Venezuela.

Em 11 de abril de 2002, um golpe de Estado fracassado tentou destituir o presidente Hugo Chávez, dando início ao processo que o país vive atualmente. Durante o golpe, a primeira medida do presidente-fantoche, o empresário Pedro Carmona, foi devolver o controle da estatal PDVSA às petroleiras norte-americanas. Após um levante popular e militar, Chávez retomou o poder e, imediatamente, revogou a decisão do Skaf venezuelano em favor dos Estados Unidos.

Passados 15 anos, a Venezuela segue sob ataque de uma “guerra assimétrica”, ou seja, diferente – ainda – das tradicionais agressões armadas, mas que já apontam para isso. Assim como fizeram no Iraque e, depois, na Líbia, os Estados Unidos lançam mão da CIA e gangues mercenárias para atacar e fragilizar o legítimo Poder Nacional. É o que, assumidamente, ocorre na Venezuela, com o apoio da propaganda internacional organizada pelo Pentágono e reproduzida pelas mídias locais, que cumprem o papel de criminalizar as lideranças e intimidar o povo.

“Onde tem petróleo, tem guerra imperialista” diz a máxima que hoje insiste em confirmar-se, transformando o continente sul-americano em um novo Oriente Médio, no pior sentido. Dia desses, Julian Assange, em seu twitter, alertou que “havíamos encontrado o nosso Iraque – a Venezuela”, denunciando a ação norte-americana. O clima de terror, agressão, sabotagem econômica e orquestração midiática contra o regime bolivariano e seu presidente Nicolás Maduro não deixa qualquer dúvida sobre isso.

Aos que ignoram a importância econômica e estratégica da Venezuela e do Brasil, e também as ações organizadas contra os dois países, é bom lembrar a história da região. Desde os anos 50, países como a Guatemala, Cuba, Chile, Argentina, Brasil, Panamá e, mais recentemente o Paraguai, entre outros, foram alvos da ação das agências norte-americanas. Alguns dias atrás, o jornal inglês The Independent trouxe declaração do Diretor-Geral da CIA “sugerindo” que a agência está trabalhando para derrubar o governo eleito da Venezuela.

Os interesses imperialistas apostam na destruição do Estado Nacional, tanto na Venezuela, quanto no Brasil, para mais facilmente saquear as cobiçadas reservas de petróleo. No Brasil, promoveram um golpe de Estado para alterar as regras de exploração do Pré-Sal, por meio de projeto do senador José Serra, notório serviçal dos interesses das petroleiras. Na Venezuela, diante da resistência popular e, principalmente, das Forças Armadas, investem em atiçar uma guerra civil para justificar um possível assalto armado.

O golpe de Estado no Brasil e os ataques à Venezuela são da mesma ordem, atendem aos mesmos interesses estratégicos, geopolíticos e econômicos. Também são, ao mesmo tempo, expressão da fragilidade do imperialismo que nada tem a oferecer aos países, a não ser destruição das forças produtivas e o saque de riquezas naturais. É tempo, portanto, de definir que Brasil queremos, para além do calendário eleitoral, e construir uma ampla e estratégica frente de resistência nacional, popular e continental e derrotar os novos colonizadores e afirmar os interesses nacionais.

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