Incontinência lesa-pátria

Fernando Rosa – O deputado Jair Bolsonaro é o “bolsomito” para seus seguidores. Um herói dos radicais, dos “patos-amarelos”. Para seus adversários, é uma perigosa ameaça à democracia, um fascista.

Antes de mais nada, ele é um mau militar, com uma carreira medíocre, abandonada, diga-se de passagem. Mais do que isso, tem um histórico de insubordinação e desrespeito à disciplina e à hieraquia.

No final dos anos oitenta, ele tentava projetar-se como “líder” da campanha por melhores soldos. Para isso, planejou explosões nos quartéis, de acordo com a revista Veja da época. No planejamento das operações, segundo a revista, estavam “explosões pequenas, para assustar o ministro”.

As ações nos quartéis seriam “só o suficiente para o presidente José Sarney entender que o Leônidas não exerce nenhum controle sobre a tropa” – o general Leônidas Pires Gonçalves era, então, o ministro do Exército.

Além de mau militar, o deputado Bolsonaro é um político falastrão e hipócrita, igual a tantos, que prega uma coisa e, na prática, faz outra. Desde sempre, se apoia em um discurso de estimular conflitos e divisão social e nacional. E também em contrariar os interesses do Brasil.

O deputado Bolsonaro, por exemplo, apoiou o golpe de Estado, que atende aos interesses econômicos e geopolíticos dos EUA. A PEC 241 (55) que congelou o orçamento e está sucateando as FFAA também teve seu apoio.

Já os ataques ao projeto aeroespacial e ao submarino nuclear não despertaram a menor atenção do “patriota”. Na contramão da história militar, declarou-se contrário à política nuclear aprofundada pelo general Ernesto Geisel, nos anos setenta. Inexplicável, ainda, é a sua defesa da condenação perpétua do Almirante Othon (recém libertado) – “tem que estar preso mesmo”, disse ele.

Para completar, recentemente Bolsonaro abriu mão da soberania nacional sobre a Amazônia, tão cara às FFAA, defendendo que a região seja explorada por países que “tenham bomba atômica” (leia-se Estados Unidos). Por outro lado, o corte de verbas que levou a redução do contingente militar nas fronteiras nacionais não faz parte das suas preocupações.

Agora, finalmente, tenta se vender aos americanos da forma mais submissa e rastejante possível, afrontando a história de soberania e independência das Forças Armadas e do Brasil. Para não deixar dúvidas sobre quais são seus compromissos, prestou continência à bandeira dos Estados Unidos e puxou um coro de “USA, USA”.

O deputado Bolsonaro, portanto, não representa o Brasil, as Forças Armadas, nem a maioria do povo brasileiro.

Um “patriota” com esse perfil só pode ser visto como um “perigo”, se a bandeira da defesa da Nação for deixada em mãos de gente como ele.

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