Saturnino defende o nacionalista Geisel

Saturnino Braga – Não tenho nenhuma procuração nem razão pessoal para defender o General Geisel; e nem tenho a intenção de defende-lo nesta decisão grave de concordar com a continuidade das execuções de presos esquerdistas durante a ditadura. É absolutamente condenável e indefensável.

A versão que apareceu dá conta da sua hesitação, do pedido de prazo para pensar mas nada disso, na verdade, reduz o horror da decisão tomada, que permitiu que outras execuções hediondas fossem feitas.

O que faz o General Geisel diferente dos demais chefes da ditadura militar é que ele demitiu o Comandante do Segundo Exército (S.Paulo) depois do assassinato do operário Manoel Fiel e, mais, demitiu o poderoso General Frota, ministro do Exército, líder da chamada linha dura, que sabidamente apoiava a tortura e as execuções. E pode-se bem supor que, a partir dessas demissões, não tivesse mais havido execuções. E, neste caso, ele teria anulado a sua horrenda decisão anterior.

O que o faz diferente dos outros, também, é a sua determinação de iniciar o processo de democratização, com a abertura ”lenta, gradual e segura”, à qual Figueiredo deu continuidade com a anistia geral e irrestrita. Isto é, o General Geisel deu, efetivamente, o impulso inicial e uma contribuição importante ao processo de redemocratização do Brasil.

Dito isto, vale também uma referência ao seu destacado protagonismo no processo de emancipação e de desenvolvimento do País. O II PND (segundo Plano Nacional de Desenvolvimento) do seu governo, com Reis Veloso no Ministério do Planejamento, e Severo Gomes no Ministério da Indústria, colocou o Brasil numa situação econômica nunca antes atingida em termos de desenvolvimento e de avanço industrial.

O sucesso internacional da Embraer, com o modelo comercial “Brasília”, a criação da COBRA, computadores do Brasil, que viria a produzir o primeiro computador brasileiro, posteriormente sabotada e extinta pelos interesses do Grande Capital apoiados pela midia de sempre, o crescimento do BNDE que passou a ser o maior banco de fomento do mundo (maior que o Banco Mundial), e o estímulo governamental aos industriais brasileiros (Mindlin, Bardella, Romi, Matarazzo, José Ermírio etc…), tudo isto produziu um quadro de desenvolvimento industrial e econômico verdadeiramente brasileiro que nunca mais se repetiu.

Geisel rompeu o Acordo Militar Brasil–EE UU, assinou o Acordo Nuclear com a Alemanha, criou a Nuclebras, que passou a desenvolver a política nuclear brasileira, mudou a linha da política externa, foi um presidente realmente nacionalista, como não tinha havido outro desde Getúlio Vargas.

Ernesto Geisel foi o último General Nacionalista no Brasil, uma espécie que, infelizmente, se extinguiu com ele (e com o grande General Euler Bentes).

E toda esta relevantíssima face da atuação dele tem que ser levada em conta: foi um ditador militar diferente, sim; não é para ser jogado na vala comum dos outros.

Ademais… ademais… eu não dou crédito a informações da CIA, que sempre, de uma forma ou de outra, querem destruir nossos valores político-econômicos e impedir o desenvolvimento do Brasil como potência independente, Potência da Paz.

É só isto.

* Saturnino Braga foi Senador da República pelo Rio de Janeiro.

(Originalmente publicado no site Conversa Afiada)

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Um comentário em “Saturnino defende o nacionalista Geisel

  1. Como ainda pode ver alguém defender um assassino com provas apresentadas por aqueles que eram seus protetores e padrinhos na época dos seus crimes.
    Como pode?
    Só pode ser um filho da puta.

    gustavohorta.wordpress.com

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