Atentado (4): Inquérito só vale concluído e assinado

Fernando Rosa – “Uma investigação feita pela Polícia Federal (PF) reforça a versão de que Adélio Bispo de Oliveira agiu sozinho”, afirmou a Folha neste domingo. Segundo a Rede Globo, a informação obtida em “off” junto aos policiais que atuam no caso foi “confirmada pelo G1 junto à assessoria da PF”. Assim, a confirmação “oficial” ocorreu ao mesmo tempo em que o inquérito foi prorrogado a pedido da própria instituição.

A matéria trata de “responder” uma série de perguntas que vinham sendo feitas envolvendo, em especial, as fontes de recursos de Adélio. É positivo que, mesmo em “off”, sejam dadas respostas negativas a esses questionamentos, mas isso não permite a afirmação de que, portanto, ele “agiu sozinho”, com destaque editorial. Aliás, isso não é nenhuma novidade, e agir sozinho, por outro lado, não quer dizer que não pode ter agido sob encomenda – além de Deus.

Também estranho tem sido a postura dos mandatários do PSL, o partido de Bolsonaro, em especial do deputado federal Fernando Francischini, que tenta impedir entrevistas de Adélio. Não pelo fato em si, que é justo, mas pelos seus argumentos que apontam para uma possível utilização das entrevistas contra seu candidato, às vésperas da eleição. O deputado Francischini, notoriamente ligado à Polícia Federal, parece mover-se com a segurança de quem desconfia ou tem certeza de algo.

Ao mesmo tempo em que sua assessoria de imprensa confirma conclusões em “off” para os jornais, a Polícia Federal solicitou mais 15 dias para continuar a investigação. O pedido seguiu-se a um terceiro depoimento de Adélio, realizado sem comunicar a sua defesa que, aliás, desconhece o teor do que disse o criminoso aos policiais. O adiamento veio acompanhado da tese da divisão da investigação em duas etapas – a primeira antes do primeiro turno, e a segunda após.

Nesse meio tempo, alguns órgãos de imprensa movimentaram-se para obter autorização para entrevistar Adélio Bispo, preso em Campo Grande. O primeiro pedido a se tornar público foi de Roberto Cabrini, do SBT, que pediu para falar com o presidiário no dia 5 de outubro – dois dias antes da eleição. Também pediram autorização a revista Veja e o jornal O Globo, este último ainda sem deferimento do pedido por parte do juiz.

Se a PF, segundo a Folha e o Globo, já concluiu as investigações, qual a razão para adiar o inquérito e separá-lo em duas partes – coincidindo com os dois turnos da eleição? Também por que o juiz, Ministério Público e a própria defesa aprovaram o pedido de entrevistas, desconsiderando que Adélio faria exame de sanidade mental na sexta-feira, 21? Ainda, qual o interesse editorial do SBT, Veja e Globo em realizar entrevistas exatamente às vésperas do primeiro turno da eleição?

Tão pronta em confirmar “off”, a Polícia Federal também poderia explicar se o policial Daniel França, substituído por Antonio Marcos Teixeira, que comandava a divisão da PF que fazia segurança a Bolsonaro, já foi ou será ouvido para explicar as razões de sua ausência no local no dia do atentado? E também para esclarecer a “displicência” profissional da PF, que sequer rádios portava no momento do atentado? E também se já identificaram quem paga a banca de advogados do criminoso?

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