Sucursais do Pentágono

Fernando Rosa – Não é de hoje que boa parte da grande mídia brasileira funciona como se fosse uma sucursal do Pentágono. É sabido que as editorias de “internacional” são ocupadas por jornalistas formados nas melhores universidades do país. Assim sendo, é inexplicável tamanha indigência e ignorância na cobertura dos temas internacionais. O que antes passava por informação, agora torna-se cada vez mais pura propaganda.

Vejamos o caso recente da posse do presidente Maduro, na Venezuela, por exemplo, que os EUA tentam demonizar. A cobertura, praticamente sem exceção, tentou emplacar a ideia do “isolamento” de Maduro. Para isso, divulgaram que havia sido inexpressiva a presença de chefes de estado e outras autoridades. A encomenda do Pentágono, mais uma vez, estava sendo entregue não fossem as novas tecnologias de comunicação.

Informação do portal Brasil 247, por exemplo, confrontou a informação com dados corretos. “A posse do presidente Nicolás Maduro contou com a presença de importantes delegações internacionais de 94 países”, escreveu José Reinaldo Carvalho. Além de organismos internacionais como, por exemplo, a singela e inexpressiva Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep).

Na mesma matéria, o portal Brasil 247 também informou que “o presidente da China, Xi Jinping enviou o ministro da Agricultura, Han Changfu; da Rússia chegou um alto representante do presidente Vladimir Putin e da Turquia o vice-presidente da República, Fuat Otkay, representando o presidente Erdogan”. Também participaram da posse dezenas de partidos políticos e movimentos sociais de todo o mundo.

A censura política e ideológica exercida nas redações das redes de TV e de grandes jornais já está sendo cobrada pela realidade, e será ainda mais. A Venezuela, como disse Maduro na posse, é centro de um embate que pode ter desdobramentos dramáticos em breve. Mas, ao que parece, a mídia brasileira pretende repetir a farsa jornalística das “armas químicas”, como no caso do Iraque, em nova versão. Nessas horas, faz muita falta uma mídia global, dos países do BRICS, por exemplo, para promover o contraditório.

O “isolamento” que as sucursais do Pentágono tentam vender também é desmentido por outras informações disponíveis na rede. O governo russo, por exemplo, expressou seu repúdio à intenção dos Estados Unidos de criar um governo paralelo na Venezuela, informou o portal Sputnik. “Da nossa parte, reiteramos a firme decisão de cooperar com o povo e o governo legítimo da Venezuela”, disse o Ministério das Relações Exteriores da Rússia.

Neste final de semana, foi a vez da República Islâmica do Irã anunciar sua disposição de aumentar a cooperação militar com a Venezuela. O Ministro da Defesa, general de brigada Amir Hatami, lembrou que o povo iraniano sofre há 40 anos as “cruéis sanções estadounidenses”, sem qualquer efeito. Caracas e Teerã já mantém alianças estratégicas e laços de cooperação nas áreas energética, comércio, indústria, educação, agricultura, ciência e tecnologia, esportes e cultura.

“A Venezuela está sendo atacada porque ela está resistindo em não entregar seu maior patrimônio, que é o petróleo. Nós no Brasil estamos entregando o Pré-sal. Acabamos com regime de partilha. O que vai sobrar de riqueza para o Brasil? Nós vamos viver na América Latina o que se vive nos países árabes com a intervenção americana em uma guerra por petróleo?”, alertou a senadora e presidenta nacional do PT, Gleisi Hoffmann, que participou da posse de Maduro.

O comportamento editorial da mídia brasileira expressa uma profunda irresponsabilidade para com o destino do país. Apostar em uma invasão da Venezuela pelos EUA, com apoio do Brasil, diante do rápido quadro que mostramos acima, é transformar a América Latina em um novo Oriente Médio. A realidade é a principal inimiga do fascismo, então, antes de reclamar, jornalistas – e também políticos – deveriam seguir a dica da senadora Gleisi e se informarem sobre a Venezuela … e o mundo.

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