Adeus às ilusões, o futuro chegou

Fernando Rosa – A constatação de que o governo Bolsonaro (já) acabou é insuficiente para explicar a atual conjuntura, as consequências imediatas e os desdobramentos futuros. Sem considerar o que está ocorrendo inserido no quadro geopolítico internacional não se chegará a lugar nenhum. O Brasil zerou um período histórico, social, econômico e político, não tem solução dentro dos atuais marcos paroquiais institucionais e políticos. 

A operação Lava Jato que levou Sérgio Moro ao governo, na raiz do projeto golpista, tinha como alvo afastar o Brasil do BRICS, fragilizar a economia nacional e tirar Lula da cena política. Não por acaso, os ataques iniciais foram contra o almirante Othon e o submarino nuclear, a Odebrecht e a indústria de ponta e Lula, o poder popular. Na reta final, a CIA orientou uma campanha contra a imagem do general Ernesto Geisel, para bloquear reações nacionalistas.

O resultado do processo é a absoluta falência de todas – todas! – as instituições de Estado, em especial as FFAA, o Poder Judiciário e a Polícia Federal, por diversas razões. O caso mais grave, sob “comando” do Exército, as FFAA viraram um partido, comprometendo seus dois principais valores, a disciplina e a hierarquia. Capturado pela ideologia e manipulado por outros interesses, Moro transformou a justiça brasileira em um puxadinho do Departamento de Justiça dos EUA.

Diante disso, a única instituição viva, que simboliza a Nação, resgata sua história, representa seu povo, com reconhecimento mundial se chama Luis Inácio Lula da Silva. Mais grave do que um ato de covardia ou traição, subestimar o papel de Lula é ignorar o processo de profundas mudanças em curso no país, na América Latina e no mundo. Não existe solução para qualquer crise, em país nenhum, que passe ao largo de seu principal líder, das suas ideias, da sua liderança, do seu poder político.

O governo Bolsonaro é apenas a tentativa, um atalho, para salvar um golpe de Estado que teve como base a traição nacional. O servil alinhamento aos Estados Unidos, ou à administração Trump, aposta em levar a aventura adiante, reunindo comerciantes internacionais de armas, zumbis da guerra fria, da TFP e do CCC. O que de pior existe na sociedade brasileira entrou na arca de Noé, com direito a teóricos da terra plana e outras barbaridades.

O mundo unipolar acabou, e “as grandes placas tectônicas do mundo começaram a mover-se”, escreveu Felipe Camarão, em artigo em Senhor X, em abril de 2016. “A crise que eclodiu em 2008 está muito longe de ser superada e aguarda uma nova e mais letal explosão, com desfecho recessivo muito mais profundo”, dizia ainda o texto. É o que, três anos depois, se verifica com previsões econômicas ainda mais dramáticas para o mundo inteiro.

Adentramos a uma nova fase histórica do país, um período de definitivo ajuste de contas na sociedade que resultará em novos patamares e valores internos sociais, econômicos e democráticos e reinserção independente no mundo. A realidade está impondo um “adeus às ilusões” à incompreensão da questão nacional, à subestimação das disputas geopolíticas e outros dogmas. O inimigo, por sua vez, entrincheirou-se do lado perdedor, como nunca fez o Brasil em sua história na política internacional.

É preciso, então, avançar na construção de um Projeto de Nação, que incorpore o conjunto do povo e das regiões em seu desenvolvimento, especialmente a região Norte e a Amazônia. Um projeto que reconfigure as instituições com Forças Armadas profissionais para defender o Estado – e não atacar seu próprio povo – e um judiciário eleito pela população. Um projeto que, definitivamente, retire das mãos da direita a ideia de que apenas eles representam a Nação, o Brasil, são “donos” da bandeira.

Foto: Ricardo Stuckert.

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