Prisioneiro de guerra


Fernando Rosa – A decisão da Lava Jato, da PF, do TR-4 e, por fim, do STF de negar o pedido de Lula para ir ao velório do irmão fez cair a máscara de quem, de fato, está dando as cartas no país. Sem delongas, os mesmos que cevaram dentro e fora dos quartéis a candidatura do capitão indisciplinado e que, no final, enquadraram o STF para afastar Lula da eleição. A cínica decisão final do ministro Toffoli de “determinar” o encontro de Lula com os familiares – e o irmão morto – em um quartel tornou-se uma cretina e redundante simbologia.

Na queda de braço desses dias, tornou-se evidente e definitivo, se ainda restava alguma dúvida, que Lula é prisioneiro político do Exército brasileiro, transformado em força de “ocupação externa”. Assim como no tempo da ditadura, a Operação Bandeirante (OBAN) de agora é a masmorra da Polícia Federal de Curitiba, de onde Lula não pode sair, nem para ir ao velório de um familiar. E para sair, mesmo superando todas as manobras e espertezas judiciais, não pode ir além dos limites dos muros de um quartel, como deixou clara a decisão de um STF submetido aos militares.

O “pensamento do Exército” – de Bolsonaro, Mourão, Heleno e outros – cevado em longos trinta anos de ócio e rancor nas casernas é que orienta o atual governo. O ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, que diz que “universidade para todos não existe”, por exemplo, é filósofo e professor emérito da Escola de Comando e Estado Maior do Exército. O que destaca a maioria dos generais assentados no poder é uma missão externa de um lado e, de outro, um baixo compromisso com os interesses nacionais. 

Também faz parte do manual dos novos golpistas, retomar o papel de inimigos número 1 do povo imposto pela Guerra Fria nas décadas de 60, 70 e 80, principalmente. Abandonam sem corar os ensinamentos do general Ernesto Geisel na política externa, alinhando-se servilmente aos interesses econômicos e geopolíticos norte-americanos. A sucessão de gestos submissos vai da continência à bandeira dos EUA aos salamaleques ao pistoleiro John Bolton, chegando ao fiasco de “dar o lado” para a missão do Exército de Israel brilhar (#sqn) na tragédia de Brumadinho.

Ainda, para completar o cenário, apostam em embarcar na aventura de uma criminosa guerra contra a Venezuela – que, ao contrário daqui, resiste com as FFAA do lado da Pátria. Na contramão da história da diplomacia brasileira, submetem-se às ordens de Trump que tenta salvar-se da derrota na Síria e na Turquia transferindo seu terror belicista para a América Latina. Com isso, ameaçam envolver o Brasil em uma tragédia continental anunciada, e transformar o povo em bucha de canhão de interesses alheios.

O medo de Lula, a insistência em torná-lo invisível, é expressão da tentativa de impedir que a sociedade perceba as maldades que eles pretendem fazer com o povo nestes próximos anos. Até agora, só falam na liberação das armas – “promessa de campanha do presidente”, como diz o general Mourão – e reforma (corte de direitos) da Previdência e privatizações. Nada que aponte para o desenvolvimento, para a geração de empregos, para melhoria da saúde, da educação e da segurança.

Única instituição viva no país, e prisioneiro da guerra imperialista contra o Brasil e a América Latina, Lula tornou-se ainda maior aos olhos da Nação e do mundo diante da covardia cometida contra ele. A dignidade de Lula reflete a grandeza do povo e, ao mesmo, expõe a fragilidade política e a falência moral da maioria das autoridades investidas de poder atualmente. Por sua vez, o “partido do Exército” somou mais um item na já extensa conta de malefícios que, a seu tempo, o povo cobrará na intensidade das afrontas acumuladas. 

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