O ideólogo do “Partido do Exército”

Fernando Rosa – Em 1977, o presidente da República, general Ernesto Geisel, demitiu o também general Sylvio Frota, então Ministro do Exército.
Além de chefe da linha dura, Frota conspirava intramuros e estimulava parlamentares a defender sua candidatura à sucessão presidencial.

Exemplar na defesa da disciplina e o respeito à hierarquia das tropas, que faltam hoje no Exército Nacional, o general Ernesto Geisel demitiu Frota no dia 12 de outubro.

As razões da demissão foram explicitadas para a história pelo próprio general Sylvio Frota, em manifesto divulgado pela imprensa.

“Sem obediência cronológica”, como escreveu, Frota enumerou argumentos em sua defesa, que iam além das questões democráticas.

LEIA A INTEGRA DO MANIFESTO

No topo da lista, o estabelecimento de relações diplomáticas com a China, iniciativa de Geisel, contra sua vontade.

O estabelecimento de relações com a República Popular da China que defende, precisamente, valores antagônicos aos nossos, feito sob Imposições, a rigor, desabonadoras para a nossa soberania, constituiu o primeiro passo na escalada socialista que pretende dominar o país“, assinalou Frota, abrindo seu rosário de resmungos contra a política praticada pelo governo.

Outro argumento era “o voto de abstenção, quanto ao ingresso de Cuba, na Organização dos Estados Americanos, que esconde, na omissão, a simpatia a um país comunista, exportador de subversão“, segundo Frota, em seu manifesto. 

Também “o reconhecimento precipitado do governo comunista de Angola, só explicável pela ânsia ideológica de prestigiá-lo” – segundo ele, integrou seu rol de reclamações.

Ainda, com destaque em seus argumentos, estava “o voto anti-sionista de caráter discriminatório, menos favorável ao Brasil do que às áreas de influência soviética“.

O manifesto não é dos documentos mais conhecidos, ou divulgados, nem fez parte do pacote que a CIA distribuiu ano passado para atacar a memória do general Ernesto Geisel.

Os temas destacados são de extrema atualidade e, não por acaso, base ideológica e política do governo Bolsonaro, em especial de seu braço militar – o Partido do Exército.

O alinhamento servil aos Estados Unidos, a rejeição à política de multilateralidade, o desprezo aos “mulambos” – como já falou o general Mourão, isso tudo faz parte do ideário atual. 

Assim como essa política atrasada foi derrotada nos anos setenta, também não tem futuro atualmente diante da nova realidade mundial, com o fim do mundo unipolar e seus desdobramentos geopolíticos.

Ao embarcarem na aventura neocolonialista do imperialismo norte-americano, e submeterem o Exército ao papel de guarda pretoriana, os herdeiros do general Sylvio Frota apostam no lado perdedor da história, pelo que vão pagar caro.

O Brasil, nem país nenhum do mundo, aceita ser escravizado e, antes do que imaginam, o povo se levantará em defesa da soberania do país e de seus direitos. 

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