Indagações sobre a cocaína

Fernando Rosa – O fato é grave, muito grave. Um avião da comitiva do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, a caminho do G20, é flagrado transportando 39kg de cocaína. Pela quantidade, um caso de tráfico internacional de drogas. 

Mais grave ainda é a reação das autoridades do governo. O vice Mourão, por exemplo, tentou minimizar a situação chamando de “mula qualificada” o militar da FAB “”dono” da mala com as drogas. Com isso, só aumentou o problema.

O caso inédito, até onde se sabe, sugere uma série de indagações.

Por exemplo, como alguém introduz uma mala, ou mais malas, com 39 kg de cocaína em uma aeronave presidencial? O pessoal que embarca em uma aeronave oficial, na Base Aérea em Brasília, não passa por sistemas de raio X?

Se a “mula qualificada” teve livre acesso no Brasil, o que aconteceu que fez ela perder a “imunidade diplomática” na Espanha? A operação “deu azar” – ou “falta de sorte”, como disse o general Heleno – ou alguém, quem?, interceptou, alertou, as autoridades da Espanha?

Aliás, por que mudaram a rota do avião presidencial para Sevilha, se antes, e sempre, a escala era em Granada? Quem definiu, autorizou a mudança de rota? A decisão foi avalizada pela Presidência e responsáveis pela segurança?

A droga tinha como destino final a Espanha, ou seria levada até a parada final, em Osaka, no Japão? Além de “mula qualificada”, o dono da mala sabe quem mandou e quem receberia a droga?

Se a “mula” é “qualificada”, como disse Mourão, quer dizer que a operação é ação de uma quadrilha internacional? Como uma quadrilha internacional tem acesso a essa “oportunidade”, ou seja, a uma aeronave presidencial, para traficar?

O que, ou quem ofereceu tamanha segurança para uma operação envolvendo um volume financeiro tão alto, o que evidencia uma ação organizada? As brechas na segurança oficial, um “ambiente amigável” ou alguma coisa mais séria?

Quem integrava a comitiva oficial neste avião que transportava a cocaína, além dos militares e funcionários do governo? A lista da comitiva é pública, com nomes e funções, pode ou será divulgada pelo governo? O militar flagrado tem algum tipo de relação com alguma autoridade da FAB, ou entre os integrantes da comitiva presidencial?

Quais as relações da “mula qualificada”, tem alguma conexão suspeita, especialmente com as milicias? O que os chefes militares têm a dizer sobre a carreira do militar, desde que entrou na FAB em 2010?

Qual o papel, neste fato concreto, do general Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional, a quem cabem as medidas de segurança? Bolsonaro vai demiti-lo, ou ele vai dar exemplo e pedir demissão, por incompetência?

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2 comentários sobre “Indagações sobre a cocaína

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