Um programa contra o fascismo

Fernando Rosa

O grande vencedor dessas eleições foi  o “NINGUÉM”, a negação da politica, o afastamento dos eleitores das urnas. Essa é a grande estratégia do imperialismo e seus aliados internos – o judiciário via Laja Jato, a mídia golpista e o PSDB. A destruição do PT é apenas parte do plano, que eles festejam antecipadamente com o resultado das eleições municipais.

O eleitor em todo o país mandou seu recado de insatisfação com a política e com os políticos em geral. Não apenas com o PT, mas também com o PMDB, derrotado nas eleições de São Paulo e do Rio de Janeiro. Em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Porto Alegre, para citar três exemplos, a soma dos votos inválidos bateu os primeiros colocados.

Na principal capital do país, de um total de 8.886.195 eleitores, 1.940.454 não compareceram as urnas, 788.379 anularam o voto e 367.471 votaram em branco. Isso somado dá um total de 3.096.304 votos, ou seja 34,84%, mais do que os 34,71% obtidos por João Dória, ou seja, 3.085. Em 2012, o total de abstenção, nulos e brancos foi de 2.490.513 votos.

A derrota do PT é resultado da criminalização do partido, mas também se deve a falta de proposta concreta para enfrentar o golpe. Ao republicanismo suicida no trato da Lava Jato somou-se a dificuldade de compreender o verdadeiro caráter do golpe. O “Fora Temer”, limitado à denúncia do golpe e a defesa das conquistas sob ataque, não foi capaz de atrair a população, especialmente os mais pobres.

Ao investir para desconstruir o PT e afastar a presidenta Dilma, os golpistas minaram a confiança da população em um programa que, mal ou bem, estava dando certo. Apesar dos erros, até o final de 2014 a economia vinha funcionando, o nível de emprego era bom e os direitos sociais se mantinham. No vácuo, restou apenas o descrédito na política e no Pais. E a desconfiança com o próprio processo eleitoral.

Se o campo da oposição tem problemas com isso, os golpistas também não mostraram definitivamente ao que vieram. Até agora, além de vender ativos da Petrobras, Temer vacila em encaminhar as medidas de liquidação dos direitos do povo. E vai ter problemas com isso junto ao Congresso Nacional, às vésperas de nova campanha eleitoral. Sem contar que seus “aventureiros” eleitos não darão conta de governar.

Os golpistas avançaram mas ainda não consolidaram definitivamente o golpe com a vitória nas eleições municipais. A revista Veja não se conteve nesse final de semana e antecipou a estratégia até o final do ano. O próximo passo do golpe, mais do que manter a perseguição ao PT e Lula, é detonar o PMDB, começando pelo senador Renan Calheiros e, por fim, afastar Michel Temer.

Nesse terreno pantanoso, e no clima pós-derrota eleitoral, florescem análises, críticas e auto-críticas apressadas. Antes de mais nada, qualquer passo adiante tem que vir acompanhado do que já fez falta nesse período pós-impeachment. Ou seja, um programa mínimo, mas amplo, capaz de aglutinar forças políticas além do terreno da “esquerda”.

As três capitais citadas anteriormente, por exemplo, perderam seu vigor industrial, sua capacidade de gerar empregos de qualidade e bem remunerados. Em 2010, por iniciativa da ABIMAQ e das Centrais Sindicais foram realizadas campanhas contra a “desindustrialização” em Porto Alegre e São Paulo, entre outras capitais. Desde então, nada aconteceu, poucas medidas foram adotadas.

O aprofundamento da crise interessa ao imperialismo que aposta em impedir o Brasil de produzir. A estratégia é submeter o país ao capital rentista, evidente quando Temer fala em “trocar” a aprovação da PEC 241 – que congela investimentos públicos em saúde e educação – por não aumentar impostos. O objetivo final é fragilizar o moral da Nação e abrir caminho para o fascismo.

A curto, médio ou longo prazo a necessidade de uma ampla frente política faz-se necessária, mas do tamanho do inimigo que estamos enfrentando. O Brasil está no centro de uma disputa geopolítica mundial que se aprofundará nos próximos anos. É decisivo ter um Projeto de Nação que dê conta de mobilizar o Brasil e os brasileiros, além das disputas eleitorais.

 

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